TJRJ alcança marca de 1.050 sentenças de redesignação sexual

TJRJ alcança marca de 1.050 sentenças de redesignação sexual

Celebrado mundialmente nesta segunda-feira (28/6), o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ é marcado no calendário como uma data para conscientizar e reforçar a importância do respeito e da promoção de equidade social e profissional de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexuais e assexuais. Sempre atento aos direitos conquistados pela sociedade, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro vem realizando importante trabalho para as pessoas que não se identificam com o gênero de nascimento e o nome nos seus registros civis e busca uma nova identidade.

Nos últimos três anos, a partir de entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), o TJRJ realizou 1.050 sentenças de redesignação sexual – com todos os pedidos realizados de forma gratuita. O documento, além de permitir mais segurança aos autores das ações, minimiza constrangimentos comuns no dia a dia dessas pessoas.
Foi no ano de 2018 que o Supremo Tribunal Federal decidiu autorizar transexuais e transgêneros a alterarem nome e gênero no registro civil, independentemente de terem se submetido ou não à cirurgia de readequação sexual. O reconhecimento se dá apenas pela autodeclaração do solicitante.

Um dos beneficiados com a decisão é Samuel Augusto de Mello Seixas, de 21 anos. O esteticista, que passou a adolescência questionando o seu gênero feminino, deu entrada com pedido na Justiça fluminense solicitando a alteração no seu registro civil e em pouco mais de um mês recebeu a sentença favorável.

“Na primeira gravidez da minha mãe, ela queria que o bebê se chamasse Samuel, mas infelizmente perdeu. Com esse documento, ela já pode falar que foi presenteada com o tão sonhado filho Samuel. A partir de agora eu ganho dignidade e a chance de escrever uma nova história”, comemora o jovem, que recebeu seu novo registro civil na última quarta-feira.

O direito à redesignação sexual é capaz de transformar também a vida de toda uma família. Foi o caso de Cleyton Bittecourt e Fabiana Santos. Há dois anos juntos, o primeiro filho biológico do casal trans nasceu em maio deste ano e desde então não tinham conseguido realizar o registro de certidão de nascimento da pequena Álex.

Cleyton, homem trans e que já tinha o documento de redesignação de gênero e nome, foi quem gerou a criança. Fabiana, mulher trans, ainda não tinha feito a alteração para o sexo feminino e por conta disso teve dificuldades de ser registrada como a mãe de Álex.

“Precisei entrar com uma ação para a minha redesignação e só depois, com documento em mãos, pude registrar minha filha. Tudo isso graças ao juiz André. Desde o início de meu processo ele foi muito compreensivo e atencioso. O desejo agora é que ele realize o nosso casamento”, sonha Fabiana, que pode, enfim, ter em mãos a certidão de nascimento da filha com seu nome e o de Cleyton como pais.

O magistrado mencionado por Fabiana é André Brito, da Vara de Família de Santa Cruz, e que trabalha no Programa Justiça Itinerante – projeto do TJRJ no qual juízes juntamente com os membros do Ministério Público e da Defensoria vão ao encontro dos cidadãos. Ele atua há cinco anos na unidade Maré-Manguinhos do programa. Localizada nas dependências da Fiocruz, a unidade é o polo responsável por grande parte das redesignações sexuais realizadas no Estado.

“O direito à justiça é muito importante e o nosso papel é possibilitar o acesso a quem procura de uma forma eficiente. Os depoimentos que recebemos são, na maioria das vezes, de um histórico familiar de não aceitação e uma sociedade em geral preconceituosa” explicou o juiz.

Fonte: TJRJ

Leia mais

Empréstimo de R$ 1,46 bi do Amazonas seguirá para assinatura, mas sem desembolso prévio

O juiz Ricardo Augusto Campolina de Sales, da 3ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Amazonas, manteve o avanço da operação de crédito...

Idade mínima exigida em edital de concurso deve ser cumprida na inscrição, diz STF

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, com voto do Ministro Alexandre de Moraes, manteve decisão que considerou válida a exigência de idade mínima...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Faxineira que limpava alojamentos de clube de futebol tem vínculo reconhecido

A prestação diária de serviços na limpeza dos alojamentos de atletas levou ao reconhecimento do vínculo de emprego entre...

STM mantém condenação de sete réus em processo sobre corrupção em licitação do Exército

Caso teve origem em investigação sobre supostas irregularidades em pregão realizado pelo 7º Depósito de Suprimento, em Recife. Plenário...

Justiça mantém condenação de hospital que denunciou pessoa errada

A 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal (DF) manteve condenação do Hospital Anchieta Ltda. a pagar R$...

Justiça condena DF a indenizar estudante que perdeu a visão de olho em acidente em escola pública

A 1ª Vara da Fazenda Pública do DF condenou o Distrito Federal a pagar indenização por danos morais, estéticos...