Justiça do DF nega indenização a homem acusado de assédio por engano

Justiça do DF nega indenização a homem acusado de assédio por engano

O juiz da 2ª Vara Cível de Ceilândia, no Distrito Federal, negou o pedido de indenização a autor equivocadamente acusado de assédio. O magistrado concluiu que a vítima agiu no exercício regular do seu direito ao comunicar o fato à polícia, não tendo praticado ato ilícito.

Consta nos autos que a vítima – então adolescente – registrou boletim de ocorrência policial, declarando ter sofrido assédio no ambiente onde cumpria estágio escolar. Segundo o relato, o funcionário apontado como autor a teria abordado no corredor e lhe entregue um bilhete com o número de seu telefone. Na mesma época, a vítima teria recebido mensagens com conteúdo constrangedor de pessoa que se apresentou com o mesmo nome do autor, o que a levou a crer que se tratava da mesma pessoa contra a qual registrou a queixa. Um mês depois, o responsável pelas mensagens foi identificado, verificando-se que se tratava de outra pessoa.

Para o autor da ação, a ocorrência policial foi aberta com acusações falsas e feita de forma abusiva e ilícita. Afirma que, por conta da por conta da situação, foi demitido sem justa causa e que teve a honra abalada. Pede, assim, para ser indenizado pelos danos sofridos.

Em sua defesa, a vítima afirma que o histórico de abordagens do autor, que eram feitas presencialmente, somada à identificação de terceiro com o mesmo nome e local de trabalho, induziram-na a erro quanto ao verdadeiro autor das mensagens por aplicativo. Afirma que registrou boletim de ocorrência por perturbação da tranquilidade e que não houve ato ilícito ou abuso de direito. Defende ainda que não há nexo de causalidade entre a demissão do autor e o registro do boletim de ocorrência.

Ao analisar o caso, o magistrado destacou que a ré “agiu em exercício regular de um direito e sem má-fé” ao relatar os fatos à polícia. O juiz observou que as provas dos autos mostram que a autora foi induzida ao erro e que não praticou ato ilícito. “As circunstâncias do caso levaram a ré a crer que o autor estava disposto a avançar em investidas mais invasivas e de cunho lascivo. Entendo que, do ponto de vista do homem médio, a ré, frise-se, menor de idade, registrou o boletim de ocorrência em exercício regular do seu direito, completamente de boa-fé. Qualquer pessoa em seu lugar, poderia muito bem ter tomado a mesma atitude, de modo que o engano ou erro da autora foi plenamente justificado pelas circunstâncias”, acrescentou.

O juiz explicou que, embora o fato tenha causado danos ao autor, não há falar em dever de indenizar, uma vez que não houve nem ato ilícito nem abuso de direito por parte da ré. O magistrado lembrou ainda que “a demissão de um empregado a partir de mero boletim de ocorrência, em análise prefacial e superficial dos fatos, sem esperar o contraditório do trabalhador, está mais na esfera de responsabilidade do empregador do que, propriamente, do comunicante dos fatos”.

Dessa forma, os pedidos de indenização por danos morais e lucros cessantes referente aos meses que ficou desempregado foram julgados improcedentes. O pedido da ré de que fosse indenizada pelos danos morais sofridos por conta do ajuizamento da ação também foi negado.

Cabe recurso da sentença.

Fonte: Asscom TJDFT

Leia mais

Defensoria amplia ofensiva e pede na Justiça medidas para impor limites em operações no rio Madeira

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) deu um novo passo na disputa judicial envolvendo as operações federais de combate ao garimpo ilegal...

PAD que termina com relatório pelo arquivamento não vincula autoridade julgadora

Não cabe ao Judiciário impedir a continuidade do PAD apenas porque a autoridade julgadora adotou conclusão diversa daquela sugerida pela comissão processante. De acordo...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça anula movimentações bancárias realizadas após furto de celular

A 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal declarou nulos um contrato de empréstimo e uma transferência via...

Começa em SP audiência de tenente-coronel acusado de feminicídio de PM

Começou na manhã desta segunda-feira (29) a audiência de instrução do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto,...

Trabalhador que recebia apenas fast food como alimentação deve ser indenizado

Uma rede de lanchonetes deve pagar indenização por danos morais a um supervisor que recebia apenas lanches do tipo...

Jornadas de 16 horas e 13 dias sem folga: operador que cumpria jornadas exaustivas obtém rescisão indireta

A 7ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) reconheceu a rescisão indireta do contrato de...