Em Goiás, liminar concedida para que o Estado conceda benefício de pensão por morte a idosa

Em Goiás, liminar concedida para que o Estado conceda benefício de pensão por morte a idosa

Goiás – A Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO), por meio da 6ª Defensoria Pública Especializada de Atendimento Inicial de Goiânia, obteve decisão liminar favorável para que o Estado de Goiás conceda o benefício de pensão por morte a uma idosa que perdeu o marido em agosto de 2021. O juízo do Estado de Goiás concedeu a liminar no dia 13 de março e a decisão deve ser obedecida até o julgamento do mérito.

Após o falecimento de seu marido, Oscalina Maria de Jesus Ferreira pediu administrativamente, na Secretaria de Economia do Estado de Goiás, que fosse fixada a pensão por morte, uma vez que seu marido era contribuinte da previdência estatal. Ele se aposentou em dezembro de 1995, com recebimento integral, tendo contribuído por mais de 35 anos, na condição de servidor notarial contribuinte facultativo em dobro.

Contudo, ela teve o pedido indeferido, com fundamentação em parecer expedido pela Procuradoria do Estado e na inconstitucionalidade da Lei Estadual nº 15.150/2005.

A Lei Estadual nº 15.150/2005 dispôs sobre a concessão de aposentadoria dos participantes do serviço notarial e registral não remunerados pelos cofres públicos. De acordo com o artigo 12 da Lei, a concessão de pensão por morte é assegurada aos dependentes do servidor notarial e registral com contribuição em dobro. A pensão deve ser concedida no mês do óbito ou, no caso de morte presumida, na data da decisão judicial.

A Lei acabou se tornando objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4639/GO, por fixar condições particulares ao regime previdenciário, e foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Após a declaração de inconstitucionalidade, os efeitos da Lei nº 15.150/2005 foram modulados, para preservar os direitos dos beneficiários que já haviam alcançado os requisitos necessários à sua aposentadoria, inclusive à pensão, até a data da publicação do julgamento do STF.

O defensor público Gustavo Alves de Jesus, responsável pelo caso, ressaltou que o marido de Oscalina não era titular de cargo público efetivo e integrava uma categoria de beneficiários específica, enquadrando-se como contribuinte facultativo em dobro, conforme previsto pela Lei Estadual nº 15.150/2005.

Explicou que o marido da assistida possuía todos os requisitos para a concessão de seu benefício, tendo, inclusive, recebido sua aposentadoria regularmente, até o fim de sua vida. “Fazendo então, que independente de seu uso imediato, fosse assegurado todas as benesses a ele garantidas, incluindo aquelas direcionadas a seus dependentes, como por exemplo a pensão por morte”.

Gustavo Alves afirmou que o beneficiário possuía direito adquirido ao regime previdenciário regulamentado pela Lei Estadual e que há flagrante erro no indeferimento da pensão por morte.

O juízo verificou que, de fato, estão caracterizados os requisitos necessários para a concessão do benefício de pensão por morte, concedendo a liminar para que o Estado de Goiás cumpra o pagamento. O Estado ainda pode recorrer da decisão.

Processo Nº 5133952-39.2022.8.09.0051

Fonte: Asscom DPE-GO

Leia mais

Sem contestar biometria, não há espaço para alegação de fraude em contrato digital

A simples alegação de que um contrato bancário não foi firmado pelo consumidor não é suficiente para afastar sua validade quando a instituição financeira...

Ação contra multa ambiental não admite reconvenção para exigir recuperação de área desmatada

A pretensão de condenar o particular à recuperação ambiental possui natureza própria e deve ser deduzida em ação autônoma, submetida ao regime específico da...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Prestador de serviço é condenado a indenizar morador em R$ 11 mil após deixar obra inacabada em residência

O 4° Juizado Especial Cível da Comarca de Natal (RN) determinou que um consumidor seja indenizado após sofrer prejuízos...

Justiça condena incorporadora por atraso na entrega de imóvel e determina indenização por danos morais

A Justiça do Rio Grande do Norte (RN) condenou uma incorporadora ao pagamento de multa contratual complementada por lucros...

TJMT aumenta indenização a pessoa atacada por três cães da raça pitbull

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por unanimidade, aumentou de R$...

Inventário extrajudicial dispensa antecipação do pagamento de ITCMD

As famílias que recorrem ao inventário extrajudicial, aquele feito em cartório para realizar a partilha consensual de bens deixados...