TJAM nega recurso e reafirma condenação de acusado por guardar bem de origem ilícita

TJAM nega recurso e reafirma condenação de acusado por guardar bem de origem ilícita

A Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas, com voto do relator Jorge Manoel Lopes Lins, recebeu recurso de Apelação criminal n° 0634903-31.2017, oriundo da 8ª Vara Criminal de Manaus, confirmando sentença de primeiro grau proferida pela Juíza de direito, Patrícia Macêdo de Campos, que condenou o acusado Jonatas Porto Fraco, pelo crime de Receptação Criminosa, incurso nas penas do artigo 180 do Código Penal, por guardar em sua residência uma motocicleta com origem ilícita ao crime de furto. O desembargador entende que se o réu conhece a origem ilícita do bem apreendido, gerar-se-á, a presunção de sua responsabilidade.

Em sua defesa, o defensor levantou a tese de que não se pode prosperar a condenação face de que a motocicleta apreendida na residência do apelante foi adquirida legalmente – contrariamente a tese do representante do Ministério Público, que imputou ao acusado o fato de ter em posse coisa que sabia ser produto de crime.

Dispôs o Acórdão do desembargador-relator, que: “O crime de receptação tem como pressuposto para a sua consumação a existência de um crime anterior, o que amolda-se ao caso em tela, sobretudo diante das provas orais acostadas ao feito, de modo que restou inconteste que a motocicleta apreendida na residência do réu teria uma restrição de furto. Portanto, se as provas dos autos demonstram que o réu adquiriu coisa produto de furto, impossível acolher a tese absolutória”.

“Urge salientar que o dolo do agente é aferido pelas circunstâncias fáticas do evento criminoso, de maneira que uma vez constatado que ele conhecia a origem ilícita do bem apreendido em sua posse, tal fato gera a presunção de sua responsabilidade, invertendo-se o ônus da prova“.

“A prova oral produzida aliada aos demais elementos de convicção juntados aos autos, bem como à inversão do ônus probatório, permitem concluir que o apelante sabia da origem ilícita do bem, não havendo do que falar em absolvição ou desclassificação para a modalidade culposa”.

“Por sua vez, o réu não apresentou prova alguma de que agiu de boa-fé, uma vez que não acostou aos autos qualquer documento que pudesse comprovar a tese defensiva levantada”.

O recurso foi conhecido, mas desprovido em seus fundamentos à unanimidade dos desembargadores da Segunda Câmara Criminal, seguido do voto do relator.

Leia o acórdão

Loader Loading...
EAD Logo Taking too long?

Reload Reload document
| Open Open in new tab

Baixar arquivo

 

Leia mais

Efeitos gravosos: negativação duvidosa autoriza suspensão imediata da publicidade

Uma decisão do Juizado Especial Cível de Manaus determinou, em caráter de urgência, a suspensão da divulgação da negativação do nome de uma consumidora....

Pix: transferência com a senha do cliente não prova, por si só, a consistência da operação

A simples alegação de que transações bancárias foram realizadas com uso regular de senha não é suficiente para afastar a responsabilidade da instituição financeira...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

CFM afirma ao STF que não quis “interferir” na execução da pena de Bolsonaro

O Conselho Federal de Medicina (CFM) enviou um ofício ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, afirmando...

STJ veda uso da produção antecipada de provas como instrumento de devassa societária

O STJ deixou claro que a produção antecipada de provas não pode ser usada como um “pente-fino” para vasculhar...

Farmacêutica indenizará mulher após implante de prótese mamária defeituosa

A 32ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve, em parte, decisão da 6ª...

Distribuição desigual de lucros não autoriza cobrança de ITCMD sem prova de doação entre sócios da empresa

A 2ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Santa Catarina reafirmou que a distribuição desproporcional de...