TJAM decide que cabe ao banco provar autenticidade de assinatura do contratante através de perícia

TJAM decide que cabe ao banco provar autenticidade de assinatura do contratante através de perícia

Cabe à instituição financeira antes de formalizar a contratação, conferir os dados do contratante para se certificar que se trata da pessoa que se apresenta para firmar o negócio, pois, se assim não proceder, poderá correr o risco de realizar um financiamento fraudulento e responder pelas consequências decorrentes da omissão, inclusive com a reparação de possíveis danos morais que resultam em indenizações ao consumidor. Esse tema é firmado no Acórdão de nº0618613-33.2020, em julgamento decorrente de recurso de apelação no qual foi relator o Desembargador Paulo César Caminha e Lima entre o Banco Santander S/A., e Carlos Aguinaldo de Souza Cohen. Nos autos, foi reconhecido que o contratante não foi a pessoa que teria feito a assinatura do negócio, ante a inversão do ônus de provar.

Havendo fraude, a ocorrência não tem a capacidade de afastar a responsabilidade do Banco que realizou o financiamento, sobrevindo, quando a questão é enfrentada pelo Poder Judiciário, o reconhecimento de pedidos do consumidor em ação de declaração de inexistência da dívida com danos morais face os resultados negativos que pode decorrer dos direitos de personalidade do ofendido pelo ilícito civil.

Na causa, houve a incidência de falsidade de assinaturas alegadas pelo autor/apelado. O juiz entendeu que a comprovação da assinatura dependeria de perícia grafotécnica que não foi solicitado pela instituição financeira requerida para a disputa judicial. 

Apresentados documentos particulares, como ocorre nos casos dos contratos de empréstimos, cessa a fé da autenticidade do documento quando impugnados pela parte interessada e enquanto não se provar que é verdadeiro. Na hipótese, o ônus de provar a autenticidade da assinatura é do Banco, que, como consta no Acórdão, deveria ter realizado pedido de perícia técnica, único meio capaz de levar ao julgador o convencimento da autenticidade das assinaturas, mas não o fez.

O Acórdão foi julgado parcialmente procedente, com restituição de valores sem o dobro por não configuração da má-fé do Banco. 

Leia o acórdão

Loader Loading...
EAD Logo Taking too long?

Reload Reload document
| Open Open in new tab

Baixar arquivo

Leia mais

Alugar veículo não livra locadora de indenizar terceiro por acidente, mantém STJ

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve o entendimento de que a empresa proprietária de veículo alugado responde solidariamente pelos danos causados a terceiros...

Anotação de ‘sub judice’ não pode impedir nomeação de candidato após fim do processo

Decisão da Justiça Federal confirma que a Administração Pública não pode manter um candidato com a anotação de "sub judice" quando já deixou de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça mantém condenação de homem que vendia combustíveis em casa

A 4ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da Vara Criminal de...

Homem que agrediu filha continuará preso após companheira afirmar que se reconciliou com ele

A Justiça potiguar manteve a prisão preventiva de um homem que agrediu a própria filha de três anos de...

Ex-funcionário é condenado por apresentar atestados médicos falsos aos Correios

A 22ª Vara Federal de Porto Alegre condenou um homem por apresentar documentos falsificados seis vezes para obter licença...

Projeto proíbe demissão por doença crônica e garante adaptações temporárias no trabalho

O Projeto de Lei 3100/26 proíbe a demissão de trabalhadores e outras práticas discriminatórias em razão de condições de...