No Amazonas, namoro não reatado ao tempero de puxão de cabelo, firma crime de violência doméstica

No Amazonas, namoro não reatado ao tempero de puxão de cabelo, firma crime de violência doméstica

Condenado a três meses de detenção em regime aberto, G. R. de O. S apelou da sentença que julgou procedente a acusação de lesão corporal no âmbito da violência doméstica. O recurso pediu a nulidade da condenação por dois motivos, assim especificados: ¹ a não realização de novo interrogatório do acusado após a oitiva de testemunha cuja ouvida se deu como informante do juízo. O interrogatório teria sido dispensado pela defesa dativa que não teria poderes para o ato; e ² a utilização de interpretação imprescindível quanto à desnecessidade da pena, decorrente do artigo 59, que, não sendo necessária, a contrario sensu, a pena possa deixar de ser aplicada, afastando a literalidade da lei penal, ante insignificante culpabilidade do agente. Ambas as alegações foram rejeitadas pelo Tribunal de Justiça sob a relatoria de Cezar Luiz Bandiera. 

A condenação se deu porque, na condição de namorado da vítima, teria o acusado o objetivo de reatar o relacionamento, comparecendo à casa da mesma para a realização do intento não suportando estar separado da ofendida. No dia do ocorrido, do lado de fora da casa da vítima, dela , apenas uma grade de ferro o distanciava. No exato momento em que a ofendida disse não ao pedido de ‘volta para mim’, o acusado puxou-lhe os cabelos contra a grade, causando-lhe ferimentos que resultaram na violência doméstica alvo da condenação penal. 

O Tribunal do Amazonas firmou que não há nulidade pela inversão da ordem de interrogatório sem que haja efetiva comprovação de que essa inversão tenha causado prejuízo suportado pelo réu no processo. A superveniência da condenação não é pressuposto, por si, para firmar esse prejuízo. 

Lado outro, afastou-se o pedido da bagatela imprópria, pois se concluiu, nos casos de violência doméstica, comprovada a ofensa física da vítima, não se pode olvidar o elevado grau de reprovabilidade da ofensa ao bem jurídico tutelado. Afastou-se, também, pedido de desclassificação para vias de fato. manteve-se a pena no mínimo legal, firmando-se a censura penal declarada em primeira instância. 

Leia o acórdão:

Processo: 0000226-13.2017.8.04.7700 – Apelação Criminal, Vara Única de Uarini
Apelante : G.R.de O.S. Relator: Cezar Luiz Bandiera. Revisor: Revisor do processo Não informado. APELAÇÃO CRIMINAL. LESÃO CORPORAL. ANULAÇÃO POR VIOLAÇÃO AO ART. 400 DO CPP. BAGATELA IMPRÓPRIA. DESCLASSIFICAÇÃO PARA O DELITO DE VIAS DE FATO. INCIDÊNCIA DA ATENUANTE DA CONFISSÃO. SENTENÇA MANTIDA. A nulidade pela inversão da ordem de interrogatório é de ordem relativa, sendo necessária a comprovação de que a inversão deu azo a rejuízo ao Réu, o qual não se verifica unicamente em virtude da superveniência de condenação; 2. Em delitos cometidos no contexto de violência doméstica ou familiar, não se aplica o princípio da bagatela imprópria, considerando o elevado grau de reprovabilidade e

Leia mais

ALEAM: Eleição indireta confirma Roberto Cidade no governo do Amazonas

A chapa, que teve Roberto Cidade como líder e como vice o ex-prefeito de Manaus Serafim Corrêa, recebeu a totalidade dos votos dos parlamentares. A...

Condomínio residencial de Manaus não precisa cumprir cota de contratação de aprendizes

O Condomínio Concept, de Manaus (AM), foi dispensado de contratar aprendizes e de pagar indenização por dano moral coletivo. Ao rejeitar recurso do Ministério...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça reconhece salário “por fora” e determina integração à remuneração de pedreiro

A Justiça do Trabalho em Goiás reconheceu que valores pagos como “ajuda de custo” a um trabalhador da construção...

Comissão aprova projeto que garante atendimento por mulher a meninas vítimas de violência sexual

A Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados aprovou o PL 2791/24, que...

Justiça manda trocar veículo zero quilômetro após mais de 70 dias na oficina

Um carro zero quilômetro que deveria representar tranquilidade acabou virando prejuízo e longa espera. Após mais de 70 dias...

Loja deve restituir valor de tintas e pagar mão de obra após falha no produto

O 2º Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Mossoró, condenou uma loja de materiais de construção a...