Município de Tapauá (AM) condenado à reparar danos por não efetuar cadastro de PASEP de servidor

Município de Tapauá (AM) condenado à reparar danos por não efetuar cadastro de PASEP de servidor

Maria Deunice Araújo dos Santos pediu e obteve do Poder Judiciário em Tapauá indenização por danos materiais porque, na condição de servidora daquele município, não tivera ser cadastro efetuado no Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, fato que fora alvo de omissão desde o ano de 2004, impossibilitando que a mesma recebesse o abono salarial ante a instituição bancária administradora. Essa inércia impossibilitara a autora de receber valores correspondentes a um salário mínimo nacional, pagos anualmente pelo Programa. Em primeiro grau a lide foi julgada antecipadamente, reconhecendo o direito da Autora, que foi mantido em segundo grau em julgamento de apelação do Município. Foi Relator Flávio Humberto Pascarelli. 

Em segundo grau, com a manutenção da sentença, destacou-se que a Autora procedeu à juntada de todos os documentos que aferiam o direito reclamado, com contracheques que demonstravam ser beneficiário do direito pleiteado, e, não teria o Município demonstrado fato que impedisse esse direito. 

Pascarelli lembrou que cabe ao réu demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, não colacionando aos autos a documentação que pudesse fazer concluir que não assistiria razão à Requerente, como determina o código de processo civil na regra do artigo 373, Inciso II. 

Desta forma, findou o julgamento por manter a decisão do juízo primevo, fundamentando-se que o apelante, Município de Tapauá, em nenhum momento da marcha processual, demonstrou ter inscrito a recorrida junto ao Pasep na data de seu ingresso no serviço público, não havendo outro caminho jurídico à adotar senão condenar o Réu à reparação de danos como reconhecido em primeiro grau. 

Leia o Acódão:

Processo: 0000112-72.2015.8.04.7400 – Apelação Cível, Vara Única de Tapauá
Apelante : Município de Tapauá/AM. Relator: Flávio Humberto Pascarelli Lopes. Revisor: Revisor do processo Não informado. EMENTA: EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. REPARAÇÃO DE DANO MATERIAL. PATROCÍNIO EM CAUSA PRÓPRIA. INEXISTÊNCIA DE ADVOGADO. INTELIGÊNCIA ART. 36 CPC. PASEP. ABONO. ATRASO DA INSCRIÇÃO POR CULPA DO ENTE MUNICIPAL. DEVER DE REPARAÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. . DECISÃO: “ ‘EMENTA: EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. REPARAÇÃO DE DANO MATERIAL. PATROCÍNIO EM CAUSA PRÓPRIA. INEXISTÊNCIA DE ADVOGADO. INTELIGÊNCIA ART. 36 CPC. PASEP.
ABONO. ATRASO DA INSCRIÇÃO POR CULPA DO ENTE MUNICIPAL. DEVER DE REPARAÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. I – Como cediço, a capacidade postulatória é pressuposto processual de validade do processo, sendo outorgada aos advogados a prática
dos atos processuais em juízo, sob pena de nulidade do processo, nos termos dos arts. 1º a 3º da Lei nº 8.906/94; II – Todavia, em se tratando de comarca do interior do estado do AM, tal regra precisa ser excepcionada justamente para salvaguardar o próprio acesso
à justiça, posto que algumas cidades não possuem defensores públicos ou advogado particular a contento; III – A recorrida juntou aos autos contracheques, que demonstram ser ela beneficiária dos abonos reclamados. Incumbia, desse modo, ao apelante, na qualidade de responsável pela inscrição no programa, comprovar a existência de “fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor” (art. 373, II, do CPC), porém, deixou de colacionar referido conteúdo probatório. IV – O atraso no cadastramento do PASEP impõe ao apelante o dever de indenizar a recorrida nos valores que seriam por ela recebidos, caso tivesse sido cadastrada quando de seu ingresso no serviço público. V Apelação conhecida e desprovida. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos, ACORDAM os senhores desembargadores, por unanimidade em conhecer do recurso para negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator, que
passa a integrar o julgado.’”

Leia mais

Sinistro indenizável: ausência de prova de cláusula excludente impõe reparação por Seguradora

A recusa administrativa ao pagamento de seguro empresarial, desacompanhada de qualquer defesa em juízo, levou a Justiça do Amazonas a reconhecer a falha na...

Nulidade não se guarda no bolso: defesa assume o ônus de concordar com a dispensa de testemunha

O caso ocorreu em Tefé, no interior do Amazonas, onde, segundo a acusação, o então chefe de polícia local solicitou dinheiro para liberar dois...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Moraes nega pedido para que Bolsonaro receba filhos no Dia dos Pais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou neste sábado (8) um pedido para que o...

Agência Nacional de Proteção de Dados investiga plataforma Discord

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) instaurou, na sexta-feira (7), processo de fiscalização contra a plataforma Discord...

Justiça nega pedido de motorista que utilizava perfil falso em aplicativo de transporte

O Poder Judiciário, por meio do 4º Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo de São Luís (MA),...

Mentir para não se incriminar não caracteriza falso testemunho

O depoente não incorre no crime de falso testemunho se, com base nos fatos narrados por ele, puder ocorrer...