Ações por abusos de empresa de telefonia podem ser ajuizadas em até 10 anos, diz TJAM

Ações por abusos de empresa de telefonia podem ser ajuizadas em até 10 anos, diz TJAM

Ao se irresignar contra decisão do juízo da 1ª Vara Cível de Manaus, o consumidor Elielson Oliveira dos Santos recorreu de sentença que julgou improcedente a ação na qual o Autor discutia indenização por Danos Morais contra a Companhia Vivo S.A, contra a qual pediu que fosse desfeita inscrição irregular por débito em órgãos de proteção ao crédito. O magistrado de 1º grau, no entanto, acolheu a contestação da Ré que levantou a tese preliminar de que o Requerente teria sua pretensão fulminada pela prescrição. Em recurso tempestivamente oposto, o Tribunal de Justiça concluiu por ser pertinente a reforma da sentença com voto do Desembargador João de Jesus Abdala Simões. 

Na decisão de primeiro grau fundamentou-se que havia diferença entre duas circunstâncias que envolviam a questão: a primeira referente ao fato serviço/produto e, a segunda, aos vícios do produto/serviço. Para o magistrado, o vício do produto serviço é menos danoso, pois frustra apenas a expectativa de real uso do bem ou serviço, enquanto na segunda hipótese, além de que o serviço produto não venha a prestar aos fins a que se destina, também põe em risco a incolumidade física-psíquica do consumidor. 

No caso, foi considerado no julgamento primevo que o prazo prescricional era de três anos, e que já teria atingido a pretensão do autor. Em segundo grau, os desembargadores entenderam, em sentido diverso, pois, quando a questão se encerra em matéria sobre cobrança indevida, promovida por empresa de telefonia, não se enquadra, para fins de prescrição, como modalidade de pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa, tal qual compreendeu o juízo de origem. 

Em conclusão, a pretensão de enriquecimento sem causa, dentre outros aspectos, pressupõe a ausência de causa jurídica. Na situação concreta, porém, inexistiu referido pressuposto, já que a relação entre as partes esteve amparada por meio de contrato. Dessa forma, é de dez anos o prazo prescricional aplicável às hipótese de pretensão fundamentada em inadimplemento contratual.

Leia a acórdão

 

Leia mais

STF: SV 14 garante acesso à informação sobre provas produzidas, não à ciência de inquéritos em andamento

A súmula vinculante nº 14 não garante acesso à existência de inquérito policial, define o Supremo Tribunal Federal ao negar reclamação com origem no...

Desconsideração de personalidade de empresa em recuperação não cabe à Justiça do Trabalho

Justiça do Trabalho não pode desconsiderar personalidade jurídica para fins de execução contra empresa em recuperação judicial.  STF cassa decisão da 10ª Vara do Trabalho...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

STF: SV 14 garante acesso à informação sobre provas produzidas, não à ciência de inquéritos em andamento

A súmula vinculante nº 14 não garante acesso à existência de inquérito policial, define o Supremo Tribunal Federal ao...

Desconsideração de personalidade de empresa em recuperação não cabe à Justiça do Trabalho

Justiça do Trabalho não pode desconsiderar personalidade jurídica para fins de execução contra empresa em recuperação judicial.  STF cassa decisão...

STF: Juiz não pode indeferir produção de prova com base em estereótipos sobre a origem da vítima

O Supremo Tribunal Federal decidiu que o indeferimento de provas em investigação penal não pode se apoiar em generalizações...

Justiça condena ente público por erro de diagnóstico e mastectomia indevida

A 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) manteve condenação de ente público por erro de...