Em Uatumã, assassinos de grávida para retirada de bebê são condenados a quase 24 anos de prisão

Em Uatumã, assassinos de grávida para retirada de bebê são condenados a quase 24 anos de prisão

O Tribunal do Júri da Vara Única da Comarca de São Sebastião do Uatumã condenou na noite de quarta-feira (10/11) os réus Alex da Silva Carvalho e Joelma Keila Santana da Silva a 21 anos e três meses de prisão e a 23 anos e oito meses de prisão, respectivamente, ambos em regime fechado, pela morte da jovem Karoline do Canto Silva, crime ocorrido em outubro de 2017.

Conforme a denúncia formulada pelo Ministério Público com base no Inquérito Policial, quando foi morta, Karoline estava grávida de aproximadamente 37 semanas. Os sentenciados foram acusados de assassinar Karoline para tirar o bebê de seu ventre, numa cesareana forçada e a sangue frio, a fim de que Joelma Keila ficasse com o recém-nascido como se esse fosse seu filho.

O réus estavam presos desde a época do crime em uma unidade prisional da capital. Eles foram conduzidos ao município pela Secretaria de Administração Penitenciária para participar da sessão de julgamento da Ação Penal n.º 00000239-66.2017.8.04.7100 na quarta-feira.

A sessão de julgamento foi presidida pelo juiz Diego Martinez Fervenza Cantoário, titular da comarca, e realizada no Plenário da Câmara Municipal da cidade. O promotor de Justiça Iranilson de Araújo Ribeiro representou o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM).

O réu Alex Carvalho teve em sua defesa os advogados André de Souza Oliveira e Wandeley San da Cruz Barbosa. A advogada Rosana Maria de Assis defendeu a ré Joelma Silva.

Cinco testemunhas – entre as arroladas pela acusação e a defesa – foram ouvidas durante o julgamento, dentre elas, a mãe da vítima.

A sentença foi lida pelo juiz Diego, às 22h30, e com a condenação os réus retornam ao sistema prisional da capital para o cumprimetno da pena.

Da sentença ainda cabe apelação.

Entenda o caso

Conforme a denúncia do MPE/AM, o crime ocorreu por volta de 23h30 do dia 18 de outubro de 2017, próximo ao campo de futebol de “Pelada Pimenta”, no Município de São Sebastião do Uatumã. Alex conhecia a vítima, sabia que ela estava grávida de mais de sete meses. Na denúncia, o MP relata que o réu teria convidado a vítima para um lanche, quando teria lhe oferecido bebida com medicamento para dopá-la e depois levado-a ao matagal em área atrás do campo de futebol. Lá, conforme os autos, a vítima foi esganada e já com a presença de Joelma Keyla, teve a barriga cortada para retirar o bebê. Em seguida, os acusados abandonaram a vítima no local, levando o recém-nascido com eles. O corpo de Karoline foi encontrado por populares na manhã seguinte. Ainda conforme a denúncia, fugiram da cidade utilizando a voadeira de linha comum logo de manhã cedo e foram presos em flagrante na cidade de Itapiranga.

Segundo a denúncia do Ministério Público, os réus confessaram os crimes, que tinham como objetivo obter uma criança para ser filho de Joelma: ela teria contratado o conhecido Alex para encontrar uma mulher que estivesse grávida.

A mãe da vítima teria informado à polícia que sua filha saiu para passear de motocicleta com o réu, que foi então localizado após buscas pela Polícia de Itapiranga e indicou onde estava Joelma com a criança (o bebê sobreviveu e foi levado ao hospital onde ficou internado por dias).

Os réus foram denunciados pelo MPE/AM como incursos nas sanções do art. 121, parágrafo 2.º, incisos I, III, IV e V, bem como dos artigos 132, 211, 242 e 249 todos do Código de Processo Penal Brasileiro.

Fonte: Asscom TJAM

Leia mais

Fim do vínculo militar não afasta direito a tratamento por lesão sofrida em serviço

O encerramento do vínculo de um militar temporário com as Forças Armadas não extingue automaticamente o dever do Estado de assegurar tratamento médico para...

Justiça aplica teoria do consumidor por equiparação e condena empresa por acidente com embarcação indígena

A Justiça Federal do Amazonas aplicou a teoria do bystander, reconhecendo a proteção do Código de Defesa do Consumidor a indígenas atingidos em um...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Shopping deve indenizar criança que teve dedo esmagado por mesa

A 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) elevou a indenização que um shopping deve...

PGE diverge do STF e defende flexibilização de prazos em eleição suplementar de Roraima

Mesmo após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal referendar a liminar que restabeleceu os prazos legais de desincompatibilização...

STF forma maioria para liberar pagamento de penduricalhos retroativos

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para liberar o pagamento de penduricalhos retroativos a juízes, procuradores e promotores...

Fim do vínculo militar não afasta direito a tratamento por lesão sofrida em serviço

O encerramento do vínculo de um militar temporário com as Forças Armadas não extingue automaticamente o dever do Estado...